Identificação de Falhas Mecânicas em Compressores

Os dados industriais mostram claramente que os compressores que foram substituídos no campo apresentam um índice de defeito muito maior que os compressores instalados em sistemas novos.

Isso demonstra com clareza que a falha que originou o defeito no compressor original permanece no sistema sem ter sido resolvido.
A maioria das falhas nos compressores se devem a deficiências do sistema em que estão aplicados. Estas deficiências devem ser corrigidas para que a falha não volte a ocorrer no compressor substituto.

A inspeção completa do compressor danificado é imprescindível, para que se possa identificar a origem do problema e, em conseqüência, indicar as correções necessárias no sistema.

Lembre-se: “A resposta da origem de uma falha se encontra dentro do compressor danificado”.


Retorno de Refrigerante Líquido

Ocorre com o compressor em operação. O refrigerante líquido se mistura com o lubrificante alterando sua capacidade de lubrificação.
Em Compressores Semi-Herméticos Resfriados a Ar, esta falha fica evidente ao observarmos o desgaste excessivo nos anéis do pistão, ou no próprio pistão, gerado pela “lavagem” das paredes dos cilindros, mediante a presença de refrigerante líquido (Fig. 1).

Nestes condições, este tipo de compressores poderia sofrer, também, um Golpe de Líquido durante o seu funcionamento, devido a palheta de sucção se comunicar diretamente com os cilindros (Fig. 2).

No caso de um Compressor Resfriado por Refrigerante, o refrigerante líquido que retorna ao compressor se aloja no fundo do cárter. A bomba de óleo succionará uma mistura de óleo rica em refrigerante e a bombeará para as buchas dos mancais do virabrequim as quais encontram-se aquecidas. O calor vaporizará o refrigerante presente na mistura, eliminando o filme de óleo lubrificante, o que acarretará o contato de metal contra metal e o conseqüente desgaste. Este desgaste se manifestará de forma progressiva, tornando-se mais pronunciado nas buchas dos mancais próximas ao estator, as quais estão mais aquecidas. (Fig. 3). Precisamente a bucha do mancal principal do compressor será a mais afetada. O desgaste pode ser tal, que o espaço entre o entre Rotor e Estator pode desaparecer, devido ao aumentar o curso do virabrequim devido ao desgaste na bucha do mancal principal. O contato do Rotor com o Estator provocará uma falha elétrica a qual, na realidade, teve sua origem em uma falha mecânica (Fig. 4).

Correção:

  1. Assegurar um valor correto de superaquecimento na válvula de expansão.

  2. Verificar o superaquecimento total, próximo á válvula de serviço de sucção do compressor.

  3. Verificar se existe retorno de refrigerante líquido em condições de baixa carga térmica (durante a noite, por exemplo)

  4. Instalar um Acumulador de Sucção.

 


Partida inundada

Ocorre quando o virabrequim e as buchas dos mancais das bielas apresentam um desgaste irregular e sem padrão definido (Fig. 5).
O resultado da Migração de Refrigerante na Fase Vapor, para o cárter do compressor desligado por tempo prolongado (equipamento de ar condicionado desligado durante todo o inverno, corte do suprimento de energia elétrica por tempo prolongado, etc.) Pode ocorrer durante a carga de “gás”, antes da partida do equipamento ou durante o degelo ou em todos os casos em que o compressor esteja mais frio que o evaporador (por exemplo, um compressor instalado em casa de máquinas com temperatura ambiente inferior a 10 ºC).

O refrigerante em estado de vapor é capaz de migrar naturalmente para o cárter do compressor, independentemente de existir uma diferencia de pressão, enquanto o compressor não estiver operando e mais frio que o evaporador. Se misturará então com o lubrificante até satura-lo (Fig. 6). No momento da partida, a diminuição brusca de pressão no cárter provocará uma evaporação violenta (Fig. 7) que alterará as condições normais de lubrificação (buchas de mancais podem não ser lubrificadas convenientemente durante a partida, até que desapareça o turbulência causada pela evaporação do refrigerante).

Pode ocorrer que o pressostato diferencial de óleo não feche o circuito de comando, devido as oscilações da pressão diferencial do óleo, durante a turbulência violenta do refrigerante dissolvido no lubrificante.

Correção:

  1. Instalar o compressor em ambientes que no permitam que este não possa estar mais frio que o evaporador.

  2. Instalar um sistema de “pump down”. Isto é, uma solenóide corta a linha de líquido quando um termostato a aciona. O compressor continua operando, até que um pressostato de baixa pressão o desliga. Este sistema permite diminuir a quantidade de vapor refrigerante que presente entre a válvula de expansão e o compressor parado, por exemplo, durante um degelo.

  3. Revisar e/ou instalar um aquecedor de cárter.

  4. Ligar o aquecedor de cárter antes de partir o compressor, depois ou durante a carga de gás e não partir o compressor até que o cárter esteja aquecido.

Golpe de Líquido

Pode ser a causa que gerou a ruptura das palhetas de sucção, palhetas de descarga arrancadas, expulsão das juntas de tapa do cabeçote, bielas rompidas sem escoriações, até a ruptura do virabrequim (Fig. 8)
Ocorre quando um compressor tenta comprimir líquido, óleo ou uma mistura de ambos.

Em compressores Semi-Herméticos Refrigerados por Ar, pode ocorrer um Retorno de Refrigerante Líquido, enquanto o compressor está operando. Enquanto que em Compressores Refrigerados por Refrigerante, se manifesta durante a Partida Inundada. 

Correção:

  1. As mesmas indicadas acima para os casos de Retorno de Refrigerante Líquido e Partida Inundada.


Superaquecimento excessivo

É gerado diante de uma elevada temperatura na descarga do compressor. Se manifesta através de resíduos de carbono (óleo queimado) nas placas de válvulas, palhetas queimadas, rompidas ou quebradiças, sinal de temperatura na cabeça dos pistões, coloração no placa que indique que esteve submetido a uma elevada temperatura (amarelo, azul, roxo), presença de partículas metálicas magnéticas no cárter (Fig. 9)
As temperaturas de descarga elevadas afetam a viscosidade do óleo e inclusive podem carboniza-lo.

A diminuição na viscosidade do óleo ocasionará uma diminuição da resistência da película lubrificante, a qual pode chegar a romper-se e permitir o contato de metal contra metal, com o conseqüente desgaste. As paredes do cilindro, este efeito pode acarretar o desprendimento de partículas metálicas que irão parar no cárter entupindo o filtro da Bomba de Óleo, o qual acarretará falta de Lubrificação. Estas mesmas partículas podem chegar ao estator provocando queima localizada. E aqui, uma vez mais, uma falha elétrica cuja origem foi uma falha mecânica.

Correção:

  1. Revisar a condensação (condensadores sujos, ventiladores queimados, trocadores de calor incrustados, etc.)

  2. Verificar a temperatura de descarga a 15 centímetros da válvula de serviço de descarga: 107 ºC = Normal; 121 ºC = Perigo de Falha; 135 ºC = Falha Certa.

  3. Isolar corretamente a linha de sucção, fundamentalmente se esta passar por locais quentes (a elevação da temperatura do refrigerante de sucção acarretará um aumento da temperatura de descarga)

  4. Verificar que a taxa de compressão não está fora da faixa de aplicação do compressor (pressões de descarga muito altas, pressões de sucção muito baixas ou ambas)

  5. Verificar se o resfriamento do compressor é o requerido pelo fabricante (ventilador de adicional de cabeçote inexistente ou queimado, compressor instalado em salas de máquinas sem ventilação, etc.)

Falta de Lubricação

Existem dois tipos de Faltas de Lubrificação:

· Perda de Lubrificação
· Falta de Lubrificação

A Perda de Lubrificação ocorre quando o lubrificante não retorna ao cárter do compressor.

Isto pode ser originado por uma mal disposição dos sifões de óleo na saída dos evaporadores ou no inicio de tubulações ascendentes da linha de sucção, falta de inclinação da linha de sucção em direção ao compressor ou inclinação no sentido oposto em tubulações horizontais, desenho ou seleção errônea do diâmetro da linha de sucção (baixa velocidade de gás de retorno), perdas de fluído refrigerante, operação em ciclos curtos de partida.

Correção:

  1. Revisar o desenho das tubulações de sucção (sifões, diâmetros, inclinação)

  2. Verificar o retorno de óleo com carga parcial.

  3. Verificar o funcionamento do pressostato diferencial de óleo

  4. Revisar o circuito de comando para evitar ciclos curtos de partida

  5. Verificar o nível de óleo

  6. Controlar a carga de fluído refrigerante

A Falta de Lubrificação aparece quando o lubrificante se encontra no cárter do compressor, porém não lubrifica.

Isto pode ocorrer quando o óleo se encontra misturado com refrigerante líquido no cárter devido a um Retorno de Refrigerante Líquido ou a uma Migração de Fluido Refrigerante Na Fase de Vapor. Também poderá manifestar-se quando a viscosidade do lubrificante for afetada por um excesso de temperatura devido a um possível Superaquecimento Excessivo.

Correção:

  1. Verificar as recomendações relacionadas com a lubrificação para os casos de Retorno de Refrigerante Líquido, Migração de Refrigerante na Fase Vapor e Superaquecimento Excessivo descritas acima. Este sintoma é similar em ambos casos: desgaste nas buchas de mancal das bielas, escoriações nos mancais do virabrequim, desgaste na bucha de mancal principal, etc. (Fig. 10)


Conclusões

  • A origem da maioria das falhas nos compressores são deficiências no sistema

  • Se o problema não for resolvido, é muito provável que a falha se repita no compressor substituto.

  • A maioria das falhas são de origem mecânica.

  • Grande número de falhas elétricas são ocasionadas, na realidade, por una falha mecânica.

  • A resposta se encontra dentro do compressor, portanto a inspeção interna do mesmo se faz imprescindível.

 

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